sábado, 9 de abril de 2011
Manequim.
Desculpa minha maneira de dizer, assim, sem qualquer introdução ou motivo, mas você não mente bem. Quanto mais você tentou mostrar que não se importava comigo, mais deixou claro que toda a sua atenção da noite era pra mim.
Se dependesse de você, ficaríamos eternamente nos encarando sem chegar em lugar nenhum. Você se tornou o desafio perfeito e, confesso, sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é. Fui eu quem cuidei da parte da atitude, da conversa, do momento certo. Acho muito cansativo ser responsável por tudo, então eu desisto de tentar te fazer humano. Pode seguir com sua falta de falta de vida, cheio de pose e frases prontas.
Não vou passar dias te observando só porque você é lindo calado, não vou deixar você me cercar a noite toda e depois ir embora só porque dessa vez eu não devolvi o olhar e você ficou sem saber o que fazer. Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar. Era muito fácil com aquelas garotas, não? Um pouco de álcool, o que você faz da vida, vamos fugir de todo mundo. Mas e alguém de corpo e alma? Aí você desiste, porque no dia seguinte não tem mais o que falar.
No fundo eu sou de mentira, assim como você. E não é uma identidade que nos tornará real. Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito se perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar. E nós seguimos sendo nada, sendo só rosto marcante e nome fictício, enquanto você não descobre que eu leio sua insegurança e me disponho a curá-la e eu tenho preguiça de dizer.
Vou deixar você procurar em todas o que você só vai achar em mim, mas não vou te esperar. Quando você perceber, será tarde demais. Mas eu deixo você olhar, porque você é lindo calado e eu falo para um plateia inteira. Se algum dia Manequim for objeto de palco, a gente se encontra.
Verônica H.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
E a cena era patética, ler e reler a mesma mensagem várias vezes como se de repente ela fosse falar algo oculto, qualquer resquício de sentimento que mostre o quanto tudo ainda pode dar certo. É aquele falso desprezo, aquela importância enorme que damos aos retalhos, tentanto em vão juntar todos, é essa busca que completa todos os nossos dias e não importa o quanto tente, não há descaso para algo assim, não há descaso para o amor.
Camila Meneghetti
Eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Se há mágica em viver...
"Rouba a voz dele com um beijo e com o rosto sobre seu peito, pergunta se vai querê-la mesmo quando descobrir seus defeitos. Diz que com ele quer ter um filho e nada consegue tirar do coração a certeza de que será um bom pai. Mas insegura, encolhe o corpo, abraçando-o forte, e pede desculpa por ser assim boba. Ele fala baixinho ao ouvido que tudo bem, que se isso for bobagem, então, não teriam escapatória, seriam, sem pestanejar, um casal de bobos. Acarinha seus cabelos encaracolados e revela a grande vontade de ter filhos com nomes de poetas, tão bonitos quanto ela! Que sejam traquinos, risonhos e esbanjem a luz da felicidade mais pura! Sorrindo, naufragado nos olhos castanhos quase esverdeados dela, diz que não deve se preocupar com o amanhã, pois, de repente, seus defeitos poderão deixá-la ainda mais atraente. E juntos, deitados entre as flores coloridas do jardim, sentem a fragilidade voraz da vida e, por isso mesmo, resolvem ficar um pouco mais um sobre o outro, em amor."
Taciano
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto.
T.B
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