segunda-feira, 18 de julho de 2011

O homem mais lindo do mundo.





 


E você ainda é o homem mais lindo do mundo. No canto da foto dos amigos bêbados, e você é o homem mais lindo do mundo. Com gorro, no meio da confusão do frio. Escondido embaixo de tanta roupa. No fundo do mar. No escuro. De costas naquela festa chata. Meu Deus, como você é lindo. Não sei direito o que é aurora boreal, mas acho que deve ser algo lindo que se formava enquanto você era feito. Não sei direito o que é isso que eu sinto por você. Mas como é maravilhoso fumar você, cheirar você, tomar você, injetar você. Calar a boca. Me pergunta uma daquelas coisas para eu dar uma daquelas respostas que você morre de rir. Me deixa pirar no seu céu da boca escancarado. Você se joga pra trás. E só porque você e o mundo inteiro têm certeza do quanto você é lindo, você faz questão de sempre se largar no mundo. É a liberdade que só tem quem é infinitamente lindo ou infinitamente feio. Eu sou mais ou menos, mas nesse segundo, já que comprei sua beleza, sou a mulher mais linda do mundo. Me deixa ser linda vestindo você. Outro dia me peguei pensando um absurdo que me fez feliz. É triste, mas me fez feliz. Pensei se isso que você faz, de ficar horas comigo depois de ter ficado horas comigo. Se isso é algum tipo de caridade sua. Porque, veja bem. Somos plantas e pássaros diferentes. Eu sou a bonitinha que lê uns livros e vê uns filmes. Você é essa força absoluta e avassaladora que jamais precisará abrir a boca para impor sua vitória. Você coloca aquele moletom cinza com dizeres do surf e eu experimento um guarda-roupas inteiro pra ficar à sua altura. Você é essa força da natureza que deu certo. E como eu não sou mulher de correr da dor, deixo ela entrar aos pouquinhos, esbugalhar meus sentidos, enfraquecer meu orgulho. Quando vejo, estou calada novamente, ouvindo o que você não diz e vendo o que você não faz .Não existe não morrer um pouco quando você chega. E de vez em quando tudo o que a gente quer é mesmo dar um tempo da vida. 


T.B

sábado, 16 de julho de 2011




 






Amor pra mim é ser capaz de permitir que aquele que eu amo exista como tal, como ele mesmo. Isso é o mais pleno amor. Dar a liberdade dele existir ao meu lado do jeito que ele é."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

 




Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama.
Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso.
Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor.
Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele. (brincadeira…)
Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre.
Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades.
Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina.
Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara
de “essa mulher é única”.
É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim.  Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver… Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo, tem que rolar umas sacanagens e Pronto!
E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que “aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências” vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.
(TATI BERNARDI)

segunda-feira, 11 de julho de 2011


 


"Você não é único. Nem exclusivo; embora seja bem diferente. Você é cheiroso, gostoso, atraente e tudo aquilo que há muito não via por aqui a despertar todos os meus sentidos. E você veio como presente de terra inesperada; deixando me morder os lábios de vontade, a me derreter toda por você, quando sinceramente pensei que deveria ser o contrário. Passei a querer te levar pro meu quarto e me entregar toda ao teu pecado; sem nunca te dividir com ninguém mais: te saber nos meus lábios e te encontrar nas minhas mãos; sabendo teu nome e tua história ao mesmo tempo em que te devoro. E depois de tanto me encantar, descobri teus dois lados; tua doçura é a mesma a me ser dor de cabeça, a me preocupar com meus limites e a me atacar gastrite. Você é todo meu, ainda que se vá. Você é minha fuga e meu deleite, como nada nem ninguém jamais foi. Meu prazer, meu fardo; peso de que tento me livrar. Mas não se ache o último da embalagem. Há muitos de você por aí. E saiba: se pudesse eu te buscava, te importava, te faria a ser meu vício de sempre. Minha caixa bonita de chocolate belga. Caro à beça"



Lá vamos nós.



 




Não é que ainda não terminamos aquela conversa, a gente simplesmente ainda não descobriu onde ela vai dar. Aí deu um tempo e você ficou meio calado, e eu, meio maluquinha como sempre, fiquei falando sobre coisas desimportantes, preenchendo lacunas, em voz alta e nervosa. Eu queria ter razão pelo menos uma vez, mas sou inteira coração, e nunca consigo me esquecer disso. Eu queria obedecer à metade de mim que queria pedir desculpas pelo cuidado exagerado,pela prontidão em aceitar seus convites,coisa e tal.Temos que seguir as regras.

Na verdade, detesto as regras, essa dissimulação Anos 20, como um puro-sangue que precisa retardar a própria corrida pra manter-se no páreo, por mais nonsense que soe. Enquanto isso, enquanto digo coisas sem parar, enquanto mantenho minha fama de nem aí, por dentro da minha cabeça estou sempre correndo atrás de qualquer lugar que só existe porque lá está você. Mas dei um jeito de sumir, não é porque isso parece um pouco com amor, e amor pressupõe ingredientes grudentos e piegas, que não posso tomar a decisão racional de não mais te ver. Na maioria das vezes acho que amor é apenas o nome que dei a um barulho que não sai da minha cabeça.

Um pouco triste reconhecer: não tenho mais me surpreendido com nada. Mas aí você pergunta se pode dar um tempo segurando minha mão, como naquela música velha, qual?, aquela do "bob", você diz. E fica ali mensurando meus dedos, querendo saber significados de cartas, alisando palmas com o indicador, se fazendo de bobo como se soubesse ler nelas minha vontade de te ver amanhã, de novo - e eu vertendo um medo gelado e patético pelos poros. Odeio você quando tem de repente essas atitudes estúpidas e bonitinhas e diferentes dos outros. Eu me sentia bem melhor sem esperar nada da tela colorida do meu telefone. Aliás, ficou chato te dar o número errado, de propósito, é que faz parte do meu show.

Me conheço, se entrego tudo logo de cara, desenvolvo aqueles sintomas clássicos: os ruídos no estômago vazio esperando pra ver se vai mesmo ligar, em quanto tempo, se doze horas ou treze dias depois, e o que essa quantidade de tempo pode querer me dizer. Doida, eu sei, mas não é só isso. Tem também a versão psicótica de mim mesma imaginando o depois da ligação, que filme você vai sugerir no primeiro encontro, a primeira transa, como a gente vai engatar o tal relacionamento, em que partes do corpo sente cócegas, o que você vai achar do tamanho dos meus seios e da minha mania de querer bancar a mocinha que não bebe,mas que come todas as porcarias do mundo. Quando vejo, lá vou eu, estou vivendo antecipadamente todo o enredo das coisas, sem deixar nada de bom pra realmente acontecer, facilitando o desencanto.

Como aqueles casais que soltam as mãos pra vencer divididos o poste de luz na rua, eu pensei que seria mais fácil me desvencilhar de você antes do primeiro obstáculo. Que, ok, havíamos nos encontrado por acaso, cruzado olhares guardados, mas nada que me atasse à você além de um laço bem feito, bonito, desses de presente, mas frágil, que se desfaz com um singelo puxão, e que se eu resolvesse rebentá-lo, seria isso e pronto.

Mas não foi isso e pronto. Eu já não sei esquecer seu rosto, me acostumei com esse seu jeito cabisbaixo de viver como se a vida tivesse acontecendo sem você. Aí você ligou, disse o nome, tentei fingir não lembrar, ameacei chamar os bombeiros, mas deixei você entrar no país das maravilhas. E não é que você entrou mesmo? Então, lá vamos nós, mais uma vez, seja o que for. Mas que pelo menos seja, dessa vez.


G.N-adaptado.

domingo, 10 de julho de 2011

Amor não se pede.


 



Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Mas amor não se pede, imagine só. Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso. Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso. Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem.
É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.


 




'Sim, ele era encrenca, das boas. Eu sabia o que estava fazendo, ele também: estávamos fazendo uma coisa errada. Gosto da luz, dos olhos dele. Gosto de me encantar, gosto de não poder me encantar e mesmo assim estar me encantando. Apesar de todo esforço, meu poder era uma ilusão. Apesar do desprendimento, eu me enganava o tempo todo. Nada de alegria, alegria. Ele fecha a porta e volta para sua vida real. Para os dois, porque ele não era egoísta: tristeza, tristeza. Alegria, alegria. Eu me implorava. E dá para sentir isso o tempo todo? Eu me cobrava tanto ser feliz que às vezes perdia a noção de que já era. Fugir da felicidade ou fugir com ela? Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência confusa que, por orgulho, acabava se decidindo impulsivamente, respondi a vontade dele: - Sim, senhor. Vamos para onde o senhor quiser, a hora que desejar e na posição que preferir. Nem todas as histórias precisam ter virgens pálidas chorando às margens de um mar de espumas. Nem tudo precisa ser romance tuberculoso. Alegria, alegria. A felicidade, assim como a bebedeira, vai e vem. A felicidade, assim como o sexo, entra e sai. A felicidade, assim como ele, era impossível. Mas não é pra tentar ser feliz que a gente vive?'