sábado, 5 de junho de 2010

 
 
 
 
 
Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.

Tati B.
 
Hoje, com toda minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas.
Deixo-as enfileiradas. E as estudo como se minha vida dependesse disso.
Com o auto-controle nas mãos, um depósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos - quem sabe? - nos tornar guerreiros impecáveis.
Ou - se não - apenas sorrir mais.
O que pra mim já vale a luta. Ou uma vida inteira.

Fernanda Mello

sexta-feira, 4 de junho de 2010




"Falam de tudo, da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzeis, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam".


Nelson Rodrigues

Eu fico imaginando.

 
 
 
 
Primeira estrela que vejo, lembrei, realiza o meu desejo.
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Pedi sete vezes em voz alta - não havia ninguém por perto para olhar e talvez rir.

... 

Força e fé, que tinha perdido, eu pedi.
 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

 
 
 
 
Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do outro. Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. Que o respeito é virtude das almas elegantes. Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.

Ana Jácomo

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Você chegou num momento razoável, com um charme razoável. Até a sua beleza é razoável. E acertou em cheio a hora de ir embora da minha cabeça. Você me quis desde o começo, mas nunca teve coragem de lutar por mim. Sempre achou que quando quisesse alguma coisa comigo - depois do que vocês homens chamam de "tempo" e que se resume em não levar nada à sério por um tempo sem se sentirem culpados - eu estaria aqui, sorrindo plástica, pronta pra me jogar aos seus pés.
Confesso que quando você apareceu, até pensei em ter você. Mas cada queda é um aprendizado, e em alguns dias, cada segundo é uma nova lição. Agora é tarde e eu sou mulher demais pra você. Não preciso dessa sua sabedoria que você usa pra intimidar quem não percebe a superficialidade das suas palavras. Não preciso de nada de você. Só distância. Você encontrou alguém diferente: uma leitora. Eu leio sua dúvida em tudo o que você diz com tanta certeza, porque precisa falar pra existir.


Verônica H.

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. Mas não me faça acreditar que é amor, caso seja apenas derivado. Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também. Pode rir, é isso mesmo. Não vou fingir ser o que não sou. Quer me tratar bem? Amém! Se não quiser, vá com Deus, não me procure mais! Amor incondicional é muito bonito. Mas eu só tenho por mim, pela minha família. E pelos meus gatos. De resto, sou igual bicho. Me morde e eu te como. Com as minhas palavras. Que são meu maior mel. E meu melhor veneno.

Fernanda Mello