quinta-feira, 29 de abril de 2010
E eu te olhei tantas vezes implorando. Não morre, por favor. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.
Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.
Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.
Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.
De tanto treinar acostumei.
E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.
Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos.
Para cada grande momento, milhares de erros mesquinhos no ar, no lençol, no ralo de um banho cheiroso.
Para cada fundo do poço, milhares de motivos de perdão boiando, bóias de coração para eu me agarrar.
E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.
Eu não queria ter ido tão longe. Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.
Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.
O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, transar para sempre. Para dar tempo de seu ser criança, chorar para sempre.
Para dar tempo de eu ser para sempre.
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não.
Desculpa, eu tinha prometido nunca mais escrever tão subjetivamente.
Te amo, viu?
Você renasceu de novo.
Eu sei que sou louca.
Louca e covarde.
Tati B. (Niver dela hoje (:)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Tudo novo aqui.
"No fundo sou sozinha. Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupe. Estou tão só. Eu e meus rituais. O telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa." [Clarice Lispector]
domingo, 25 de abril de 2010
Seis e trinta.
Quando tudo começou eu era a novidade, e nem mesmo me importava, não fazia ideia do que isso significava. Eu era o desafio, eu era o novo, e ria - grande ironia - ria das tuas antigas meninas, que se desesperavam, e tentavam de todo jeito me derrubar, e te acorrentar. Eu ria, porque, mesmo te conhecendo pouco, sabia que não era assim que elas conseguiriam te ganhar. Não te levar a sério foi a minha salvação, e também a minha ruína. Pois, hoje, eu sou a piada. Hoje, eu que me desespero quando vejo o teu novo desafio. Quando vejo que sou eu a folha do calendário amassada no canto da gaveta, sou eu a foto de um tempo que já foi, sou eu a música que fica no fim do playlist. Eu ainda toco, eu ainda lembro, eu ainda mexo. Mas não tenho mais o gosto de vitória, aliás devo ter - vitória vencida, gasta, velha. Não se choque - falo isso sem um pingo de amargura, um pouquinho de mágoa, até de ciúmes, mas nenhuma amargura, garanto. Às vezes tu voltas, e tenta remendar, e tenta renovar as cores da nossa fotografia, por vezes acredito, é bobo, é ridículo, mas eu acredito na gente. Eu acredito que comigo tu sempre foi diferente. Eu acredito que as promessas que fizemos existiu tanto em ti quanto em mim. Mas posso aceitar, embora não sem decepção, que a tua hora não chegou. E que o teu novo desafio vai te encantar só e, somente só, por ser novo, que ela te faz rir, te instiga, te dá apelidos novos, sonhos novos, ideias novas, músicas novas, filmes novos, personagens novos, que ela, diferente de mim, não tem um histórico de longas conversas sérias, sobre ti, sobre mim, sobre nós dois - porque, sabemos, o nós existiu, e, não evaporou-se assim. Porque ela, diferente de mim, não te assusta por ter dado tão certo, por ser tão seguro, tão sério. Porque ainda tens medo. Tento, no máximo da minha humildade, e com o mínimo do sentimento que nutro por ti, ficar feliz com a tua nova historinha - sentimento este que, também sabemos, jamais foi a paixão des-me-di-da a qual estou habituada a viver -, que chegou mesmo a ser o mais próximo do que imagino ser amor, não o de abrir mão da vida e mover montanhas, mas, o amor de mesmo te querendo muito, te sentindo muito, ficar feliz por saber que tem alguém aí do teu lado quando eu não posso estar. Por ela estar te fazendo sorrir, quando, a nossa história ficou tão complicada que eu já não conseguia mais. Que bom que ela te dá coisas novas, que ela te entrete, te faz crescer. Me destes algo novo, algo limpo, simples e calmo, eu quis te preservar, sabes disso. Só espero que entendas que das minhas paixões eu sempre soube cuidar, sempre soube viver, até porque era só mesmo me perdendo que eu as vivia por completo, mas este sentimento, este que tu me ensinou, que tu me deu, este, eu ainda tô aprendendo a curar.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Eu juro que eu tinha colocado um ponto final. Eu juro!
Mas às vezes ele timidamente pegava a borracha e apagava, tentando fazer com que eu continuasse escrever...
Eu recoloquei o ponto em seu lugar. Uma vez. Duas. Três. Quatro. Até que eu decidi descobrir o que ele tanto queria que eu escrevesse. É, ele apagou o ponto, eu coloquei de novo mas depois fui lá e apaguei, eu mesma. Peguei o lápis e perguntei com coragem:
- Vamos lá, o que quer que eu escreva afinal ? (!!!!!!!)
Eu sei que com ele fica sem concordância, coerência nem coesão.
Mas sem ele
não tem texto.
Mas às vezes ele timidamente pegava a borracha e apagava, tentando fazer com que eu continuasse escrever...
Eu recoloquei o ponto em seu lugar. Uma vez. Duas. Três. Quatro. Até que eu decidi descobrir o que ele tanto queria que eu escrevesse. É, ele apagou o ponto, eu coloquei de novo mas depois fui lá e apaguei, eu mesma. Peguei o lápis e perguntei com coragem:
- Vamos lá, o que quer que eu escreva afinal ? (!!!!!!!)
Eu sei que com ele fica sem concordância, coerência nem coesão.
Mas sem ele
não tem texto.
domingo, 18 de abril de 2010
Saudadezinha.
Eram tão raros os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. Você me dizia que jamais iria me cobrar leveza, pois me amava intensa. E me pedia que fizesse exatamente o mesmo, ainda que ao contrário, por você. E eu não obedecia nunca, afinal, pessoas intensas não obedecem.
E assim nós seguimos, por alguns bons anos entrecortados, sendo tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar que tinha acabado de se conhecer numa festa, ainda que tivesse ido junto para a festa. E por horas ficávamos nessa bobeira e nenhum dos dois ria. Até que alguém pedia, cansado, “já pode voltar ao normal? É que está me dando vontade de transar e eu não transo com desconhecidos”.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar sua vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase dez anos a menos, da mania que você tinha de arrumar meu cabelo pra eu poder voltar pra casa e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Quem fica com o amor da gente é sempre p..., não dá pra negociar. Tá bom "aquela vaca" também serve. Na piscina ela te olhou e me disse que te achava gordo e careca. Eu morri de rir porque você está mesmo um tanto quanto, mas olhei de volta e te achei todo lindo. Aquela vagabunda (também dá) estava fingindo desinteresse! você acha que eu estou sendo vulgar? Ora amor meu, eu comecei toda doce lá em cima, mas agora o sangue me subiu e o nível caiu. (...)
Eu te amo poxa! Eu fico muito magoada! Não é humilhação que sinto, porque eu acho tudo tão bobo, tão adolescente, que me bate um desprezo. Depois acabo compreendendo a chatice inteira, e fico é muito triste. Parece às vezes que o avesso vai me sair pra fora cortado em pequenos pedaços de carne mutilada. Estou sendo melodramática, você acha? Às vezes a gente perde mesmo a delicadeza, e a educação vai junto, benzadeus! (...)
Eu sei que se aparecer na sua frente, seu coração dispara. Eu sinto bobo, quando você me abraça, aquele bumbo rebatendo no meu peito. Pois o meu coração, outro dia disparou com uma foto - tonta que eu sou... Estava tirando você do porta - retrato da estante com raiva - as vezes bate uma vontade de te surrar - e você ali sorrindo pra mim com seus dentes perfeitos. Não tirei mais, deixei bem onde estava, na prateleira da sala, sabe? Sinto saudades suas. Nem sei porque ligo tanto prum sujeito teimoso que procura fora o que o afasta do que ele mais quer. Vou te internar. Se adiantasse... Mas não adianta. Sou eu sua cura, por isso você foge. E sou sua droga por isso você volta. Eu sou sua droga, por isso você foge, mas sou sua única cura, por isso você volta sempre. Volta logo, vá, já te dei linha demais. To cansada dessa encrenca. Quero paz. (...)
Mas pensando bem, você me faz doer. Volta não meu amor. É que a distancia, o tempo, sei lá, foi mostrando que... eu sem você, até que passo bem demais. (...)
Maitê Proença
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